Militares da PM de Ribas do Rio Pardo foram alvo da Operação Janus, que investiga esquema de proteção a traficantes, desvio de drogas apreendidas e cobrança ilegal de dívidas
Os policiais militares presos durante a Operação Janus, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), começaram a ser transferidos para o Presídio Militar Estadual (PME), em Campo Grande. A medida foi oficializada em publicação do Diário Oficial do Estado (DOE) desta sexta-feira (29).
Dos quatro militares presos na operação realizada na quinta-feira (28), três tiveram os nomes divulgados oficialmente: o 2º sargento Marcos Augusto e os cabos Thiego e Hudson Luiz. Todos integravam a 13ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), sediada em Ribas do Rio Pardo.
Conforme a publicação oficial, a transferência ocorreu “por inconveniência da permanência na OPM (Organização Policial Militar)”, retirando os investigados da unidade onde atuavam.
A Operação Janus é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e investiga supostos crimes praticados por policiais militares lotados em Ribas do Rio Pardo, município que registrou forte crescimento populacional nos últimos anos após a instalação da fábrica de celulose da Suzano, inaugurada em julho de 2024.
Segundo o MPMS, as investigações começaram nos primeiros meses de 2025, após denúncias encaminhadas ao Ministério Público apontarem que policiais teriam estabelecido vínculos com traficantes locais para atuar no comércio ilegal de drogas.
Ao longo de 14 meses de investigação, os promotores apontaram indícios de que os policiais protegiam grupos criminosos parceiros, permitindo a comercialização de entorpecentes e, em alguns casos, utilizando violência contra rivais dos traficantes.
As apurações também indicam que os investigados forneciam drogas para revenda e recebiam parte dos lucros obtidos. Parte dos entorpecentes, conforme o MPMS, teria sido desviada de apreensões realizadas pela própria polícia.
Outro ponto investigado envolve a prática de agiotagem. Segundo o Gaeco, alguns policiais atuariam em cobranças ilegais de dívidas, utilizando ameaças e se valendo da condição de agentes de segurança pública para intimidar devedores.
Os militares seguem presos enquanto o caso continua sob investigação do Ministério Público e demais órgãos de controle.