Investigação aponta desvio de drogas apreendidas, cobrança violenta de dívidas e apoio a criminosos; quatro pessoas foram presas
Policiais militares ligados à 13ª Companhia Independente da Polícia Militar de Ribas do Rio Pardo foram presos durante a Operação Janues, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que investiga a suposta participação dos agentes em esquemas de narcotráfico, agiotagem e apoio a organizações criminosas no município, localizado na região central de MS.
Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão e 11 mandados de busca e apreensão em Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul. O Ministério Público Estadual não informou quantos dos presos pertencem à corporação.
Segundo o MPMS, as investigações apontam que policiais investigados desviavam drogas apreendidas em flagrantes, repassavam entorpecentes a criminosos e permitiam a comercialização ilícita em troca de vantagens. O grupo também é suspeito de usar informações privilegiadas e atuar diretamente contra rivais de traficantes ligados ao esquema.
As apurações indicam ainda que alguns dos agentes investigados exerciam atividades de agiotagem e realizavam cobranças de dívidas mediante ameaças e intimidação, utilizando a condição de policiais militares para pressionar devedores e ampliar a influência do grupo.
A investigação teve início nos primeiros meses de 2025 e se estendeu por cerca de 14 meses. Conforme o Ministério Público, o material reunido demonstra que servidores públicos encarregados da segurança estariam atuando para proteger criminosos.
O nome da operação, Janues, faz referência ao deus romano Janus, conhecido por possuir duas faces. Segundo o MPMS, a escolha simboliza a contradição entre a função pública exercida pelos investigados e as condutas criminosas atribuídas a eles nos bastidores.
As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e dimensionar a extensão da atuação do grupo.