Projeto do HU-UFGD/Ebserh marcou uma década de atuação com edição especial natalina e reforça a humanização no cuidado hospitalar
O projeto Seresteiras do HU, formado por colaboradoras e colaboradores do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), integrante da Rede Ebserh, completou em 2025 uma década de atuação levando música, afeto e acolhimento aos corredores da instituição. Para celebrar os 10 anos, o grupo realizou em dezembro a edição especial “Seresta Natalina: Especial 10 anos”, reunindo antigos integrantes, músicos convidados e as atuais seresteiras.
A apresentação contou com a participação de dois ex-integrantes do projeto: Edu Azevedo, no pandeiro, e Anderson Molgora, no violino, servidor do hospital, além do músico Wilian Lira, no violão, também funcionário do HU. Eles se juntaram às atuais seresteiras Denise Melo, Laura Cyrineu, Letícia Pinheiro, Luciana Comunian, Márcia Strassburger e Neiva Barreto, todas colaboradoras de diferentes setores da unidade.
O repertório da edição comemorativa trouxe canções que misturam espiritualidade, esperança e diversidade cultural, com trechos de Venite Adoremus, Bom Natal, Mamo Oimẽ nde rory, Solo le pido a Dios, Happy Day e O que é, o que é. A proposta foi levar conforto emocional e alegria a pacientes, acompanhantes e trabalhadores do hospital. Além das vozes, o grupo também investe em figurinos e maquiagens artísticas, criadas pela seresteira Márcia Strassburger, ampliando a experiência sensorial e afetiva das apresentações.
Coordenadora do projeto desde sua criação, a pedagoga Laura Cyrineu Munhoz e Silva destaca o caráter aberto e criativo da iniciativa. Segundo ela, qualquer colaborador do hospital que goste de cantar ou tocar um instrumento pode participar. Os encontros acontecem semanalmente, com momentos dedicados à escolha do repertório, aquecimento vocal e ensaios.
Laura Cyrineu ressalta ainda que o projeto também está diretamente ligado à qualidade de vida no ambiente de trabalho. Para ela, os ensaios e apresentações representam uma pausa na rotina hospitalar, favorecendo a convivência, a expressão artística e o bem-estar dos participantes. O grupo, segundo a coordenadora, permanece aberto à adesão de novos integrantes do HU-UFGD.
A história das Seresteiras do HU começou em dezembro de 2015, quando um grupo de funcionários organizou uma ação musical para integrar a programação natalina do hospital. Na época, chamado de Seresteiros do HU, o coletivo percorreu os setores da instituição cantando canções de Natal como forma de reconhecimento ao esforço diário das equipes e de acolhimento aos pacientes e acompanhantes.
Com o passar dos anos, a seresta natalina tornou-se tradição, sendo realizada em todos os turnos e contemplando trabalhadores das áreas assistencial e administrativa, além de terceirizados. O repertório sempre buscou transmitir mensagens de paz, alegria e esperança, incluindo músicas em português, guarani, espanhol e inglês, refletindo a diversidade cultural do público atendido pelo hospital.
Durante a pandemia de Covid-19, o projeto se reinventou e passou a realizar serestas virtuais, com gravações remotas. As apresentações tiveram caráter de homenagem e gratidão aos profissionais de saúde e contaram com participações especiais, como da Orquestra UFGD e do músico Renato Teixeira. Nesse período, também foram realizadas serestas personalizadas para pacientes internados com Covid-19, como gesto de apoio às famílias e aos próprios doentes.
Com o retorno das atividades presenciais, a partir de 2022, o grupo passou, de forma espontânea, a ter uma formação exclusivamente feminina, adotando oficialmente o nome Seresteiras do HU. Em 2023, a iniciativa foi institucionalizada por meio da Resolução nº 114, de 29 de junho, consolidando-se como projeto permanente do HU-UFGD/Ebserh.
Para as integrantes, a experiência acumulada ao longo de dez anos é marcada por momentos de forte emoção. Sorrisos de pacientes, crianças acompanhando as músicas, familiares emocionados e profissionais cantando ou aplaudindo fazem parte das memórias afetivas do grupo. Segundo a coordenação, a música se mostra uma poderosa ferramenta de humanização, capaz de transformar o ambiente hospitalar e ampliar o olhar dos próprios trabalhadores sobre o cuidado com o outro.