“Compreender, gerenciar e se adaptar às tendências de mobilidade humana é crucial para garantir que a assistência humanitária e os serviços essenciais cheguem às pessoas onde são mais necessá
Por ONU
Um recorde de 59,1 milhões de pessoas foram deslocadas dentro de seus países no ano passado, quatro milhões a mais do que em 2020, revelou a Agência da ONU para as Migrações (OIM), citando o último Relatório Global sobre Deslocamento Interno (GRID).
A OIM saudou o documento, produzido pelo parceiro o Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno (IDMC), classificando-o como uma ferramenta valiosa para a organização, organizações humanitárias e governos, no apoio às comunidades afetadas por desastres e outras crises.
“Compreender, gerenciar e se adaptar às tendências de mobilidade humana é crucial para garantir que a assistência humanitária e os serviços essenciais cheguem às pessoas onde são mais necessários”, disse a agência da ONU.
Fugindo dos desastres - Nos últimos 15 anos, a maioria dos deslocamentos internos foi desencadeado por desastres, com números anuais ligeiramente superiores aos relacionados a conflitos e violência.
O ano passado não foi exceção, de acordo com o relatório. Eventos relacionados ao clima, como inundações, tempestades e ciclones, resultaram em cerca de 23,7 milhões de deslocamentos internos em 2021, principalmente na região da Ásia-Pacífico.
A OIM alertou que, com os impactos esperados das mudanças climáticas, e sem ações climáticas ambiciosas, os números provavelmente aumentarão nos próximos anos.
Conflito e violência - Enquanto isso, conflitos e violência provocaram 14,4 milhões de deslocamentos internos em 2021, um aumento de quase 50% em relação ao ano anterior.
A maioria ocorreu na África, particularmente na Etiópia e na República Democrática do Congo, enquanto o Afeganistão e Mianmar viram um número sem precedentes de deslocamentos.
Vidas jovens afetadas - O relatório também inclui um foco especial em crianças e jovens, que representam mais de 40% do número total de deslocados internos no ano passado.
Ele analisa os impactos do deslocamento em seu bem-estar agora e no futuro e preenche lacunas de dados e conhecimento que são essenciais para encontrar soluções duráveis.
A OIM disse que existem lacunas na compreensão e na abordagem do deslocamento interno em conflito.
Impulsionado por dados - A agência fez parceria com o IDMC - que faz parte do Conselho Norueguês de Refugiados (NRC) - para fornecer dados confiáveis e precisos por meio de sua Matriz de Monitoramente de Deslocamento (Displacement Tracking Matrix - DTM), a maior fonte mundial de dados primários sobre deslocamento interno.
As duas organizações assinaram um acordo há quatro anos para unir forças para melhorar os dados e acelerar a formulação de políticas e ações.
A OIM também co-preside a International Data Alliance for Children on the Move (IDAC) desde 2020.
A coalizão reúne governos, organizações internacionais e regionais, organizações não-governamentais, grupos de reflexão, acadêmicos e sociedade civil, para melhorar estatísticas e dados sobre crianças migrantes e deslocadas à força.
Fórum de Revisão de Migração Internacional - A Assembleia Geral recebeu nesta quinta-feira (19) o primeiro Fórum de Revisão de Migração Internacional. O encontro é a principal plataforma global intergovernamental para os Estados-membros avaliarem a implementação do Pacto Global para Segurança e Ordem e Migração Regular, lançado em 2018.
Participam o diretor-geral da Agência da ONU para as Migrações, António Vitorino, o presidente da Assembleia Geral, Abdulla Shahid, e o secretário-geral da ONU, António Guterres.
O Fórum também examinará a interação entre migração e preocupações mais amplas, como a pandemia, o conflito, o financiamento do desenvolvimento e a emergência climática.