Cinco unidades reduziram o ritmo de trabalho após o limite de exportação; venda acima da cota pode sofrer tributação de até 67%
A expectativa das indústrias é retomar o direcionamento da produção ao mercado chinês a partir de outubro - Foto: Famasul
O esgotamento da chamada “Cota Boi China” já afeta frigoríficos de Mato Grosso do Sul. Empresas do setor adotaram férias coletivas e diminuíram o número de abates diante do risco de uma tributação que pode inviabilizar a exportação de carne bovina ao principal comprador do produto brasileiro.
A JBS, em Campo Grande, a Iguatemi Beef, em Iguatemi, e a Boibras, em São Gabriel do Oeste, concederam férias coletivas. Outras duas unidades reduziram as atividades: a Natura Frig, em Rochedo, cortou quase 40% dos abates, enquanto a Frigo Sul, em Aparecida do Taboado, passou a operar com escalas menores e em dias alternados.
Segundo o presidente do SicadeMS (Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul), Régis Comarella, o setor já previa a redução no ritmo de produção após o cumprimento do limite de exportação estabelecido pela China.
A regra prevê cobrança adicional de 55% para a carne exportada acima da cota, além dos 12% já existentes. Com a carga tributária chegando a 67%, as vendas passam a ser consideradas inviáveis pelas indústrias.
Além da limitação nas exportações, o setor enfrenta menor oferta de animais para abate, mercado interno fraco e dificuldade para repassar os custos aos preços da carne. Até agora, segundo Comarella, não há registro de demissões nas empresas afetadas.
O limite de exportação autorizado para o Brasil neste ano é de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina. Dados recentes do governo chinês apontam importação de cerca de 884,8 mil toneladas de carne bovina in natura brasileira.
A expectativa das indústrias é retomar o direcionamento da produção ao mercado chinês a partir de outubro. Com isso, a carne embarcada no fim do ano chegaria ao destino em janeiro, quando começará a contar para a nova cota.