Proposta que ampliava foro privilegiado e restringia prisões de parlamentares é considerada inconstitucional e deve ser “sepultada” em plenário
A chamada PEC da Blindagem sofreu uma derrota significativa nesta quarta-feira (24), ao ser rejeitada por unanimidade pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A decisão abre caminho para o arquivamento da proposta, que agora depende de anúncio formal do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), no plenário.
Segundo o regimento interno do Senado, projetos considerados inconstitucionais podem ser arquivados definitivamente após a manifestação do presidente da Casa. Só há possibilidade de recurso se a rejeição não for unânime, o que permitiria a pelo menos nove senadores levar o texto ao plenário.
O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), defendeu que a proposta seja levada ao plenário justamente para ser “sepultada” em definitivo, como gesto político diante da rejeição unânime dos senadores.
A PEC havia sido aprovada na Câmara dos Deputados na semana passada, com apoio da oposição, de partidos de centro e do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). O texto previa limitações à prisão de parlamentares, a exigência de aval do Congresso para abertura de processos judiciais – em votação secreta – e ainda a ampliação do foro privilegiado para presidentes de partidos com representação no Legislativo.
Entretanto, ao chegar ao Senado, a proposta passou a enfrentar forte resistência. Senadores de diferentes espectros políticos classificaram as medidas como “exageradas” e rejeitaram especialmente o dispositivo que instituía voto secreto para autorizar processos contra congressistas.
As críticas também refletiram a pressão popular: no último domingo (21), manifestações em diversas capitais pediram o fim da PEC e reforçaram a cobrança por mais transparência e responsabilidade no Legislativo.
Veja quem são os 26 senadores que votaram para derrubar a PEC da Blindagem:
Eduardo Braga (MDB-AM)
Alessandro Vieira (MDB-SE)
Renan Calheiros (MDB-AL)
Jader Barbalho (MDB-PA)
Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB)
Sergio Moro (União-PR)
Alan Rick (União-AC)
Soraya Thronicke (Podemos-MS)
Oriovisto Guimarães (Podemos-PR)
Carlos Portinho (PL-RJ)
Jorge Seif (PL-SC)
Eduardo Girão (NOVO-CE)
Magno Malta (PL-ES)
Rogério Marinho (PL-RN)
Laércio Oliveira (PP-SE)
Esperidião Amin (PP-SC)
Hamilton Mourão (Republicanos-RS)
Angelo Coronel (MDB-BA)
Omar Aziz (PSD-AM)
Eliziane Gama (PSB-MA)
Rodrigo Pacheco (PSD-MG)
Jorge Kajuru (PSB-GO)
Rogério Carvalho (PT-SE)
Randolfe Rodrigues (PT-AP)
Fabiano Contarato (PT-ES)
Augusta Brito (PT-CE)