Gleice Jane quer votação de requerimento que pode abrir caminho para apuração de mais de R$ 60 milhões em recursos públicos
Segundo Gleice Jane, o pedido foi protocolado no início de março, mas ainda não avançou na Casa - Foto: Luciana Nassar
A deputada estadual Gleice Jane (PT) voltou a pressionar a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) para colocar em votação um requerimento que pede informações detalhadas sobre repasses públicos destinados à Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul. A cobrança foi feita na tribuna, após servidores estaduais criticarem o reajuste salarial abaixo da inflação e associarem o cenário a prioridades do governo.
Segundo a parlamentar, o pedido foi protocolado no início de março, mas ainda não avançou na Casa. “Apresentei o requerimento no dia 3 e até agora não foi colocado em votação. Por isso, reforcei hoje a necessidade de inclusão na pauta”, afirmou.
De acordo com dados já divulgados, a entidade deve receber mais de R$ 60 milhões em recursos públicos ao longo deste ano. Para Gleice, a obtenção dessas informações pode embasar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar possíveis irregularidades em contratos.
A discussão sobre a CPI já ocorre entre deputados do PT. A deputada avalia que há resistência interna, mas defende que um levantamento consistente pode viabilizar a investigação. “Precisamos de dados robustos para avançar. Com informações concretas, fica mais difícil barrar a abertura de uma CPI”, argumentou.
Ela também destacou que, apesar de não ser um órgão público, a Fiems exerce papel estratégico no desenvolvimento econômico do Estado e, por isso, deve prestar esclarecimentos. “Não se trata de fazer barulho político, mas de garantir transparência em uma instituição relevante para a sociedade”, disse.
O deputado Zeca do PT afirmou que já há articulação para reunir assinaturas necessárias à abertura da CPI, inclusive com apoio de parlamentares de outras siglas, como João Henrique Catan (Novo). No entanto, ele também sugeriu que o caso pode ser encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), por envolver recursos de origem federal.
Já o deputado Pedro Kemp (PT) adotou postura mais cautelosa e avaliou que, neste momento, a investigação caberia ao MPF. Segundo ele, a estratégia inicial é aguardar respostas a um requerimento de informações encaminhado à Confederação Nacional da Indústria (CNI), que tem prazo de 15 dias para responder.
Apesar das divergências sobre o caminho a seguir, os parlamentares concordam que os repasses à entidade precisam ser esclarecidos.