Ex-deputado perdeu foro privilegiado e não foi localizado pelo Gaeco em seus endereços em Mato Grosso do Sul
A estratégia jurídica do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk (sem partido), está sob compasso de espera. A defesa do político confirmou que aguarda a notificação formal do mandado de prisão para analisar o teor do documento e determinar as próximas medidas judiciais. De acordo com o advogado Ricardo Souza Pereira, o ex-parlamentar ainda não foi detido e a equipe legal sequer teve acesso à decisão que determinou a captura.
Agentes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) realizaram buscas na manhã de hoje nos endereços de Razuk em Campo Grande e Dourados, mas o político não foi encontrado. O defensor afirmou desconhecer a localização atual do cliente, levantando a possibilidade de ele estar em uma de suas residências, viajando ou até mesmo fora do país.
Sobre a chance de Neno se entregar voluntariamente, Pereira ressaltou que a escolha é estritamente pessoal:
"Essa é uma decisão de foro íntimo, e ele ainda não se manifestou. Quando eu tiver acesso aos termos do mandado e puder orientá-lo, uma resolução deve ser tomada."
A defesa também contestou a rotulação imediata do ex-deputado como "foragido". Segundo a interpretação do advogado, a legislação brasileira prevê que a existência de uma ordem de prisão em aberto não confere, de forma automática, a condição de foragido ao réu antes que ele tome ciência oficial do ato.
O cerco contra o ex-parlamentar faz parte dos desdobramentos da Operação Successione, que investiga estruturas criminosas no estado desde o final de 2023. Neno Razuk já possui uma condenação em primeira instância de 15 anos, 7 meses e 15 dias de reclusão pelos crimes de exploração do jogo do bicho, roubo majorado e organização criminosa armada. Até então, ele vinha recorrendo da sentença em liberdade.
A blindagem jurídica do político ruiu após a Justiça Eleitoral realizar uma recontagem de votos, o que custou a Razuk sua cadeira na Assembleia Legislativa. Sem o mandato, ele perdeu o foro por prerrogativa de função, fazendo com que suas ações criminosas passassem a tramitar na justiça comum.
Além da condenação que já pesava contra ele, Neno é réu na quarta fase da Successione, deflagrada em 25 de novembro de 2025. Aquela etapa da operação resultou na prisão do pai e de dois filhos da família Razuk, poupando apenas a esposa e a filha de Roberto Razuk.