Porta-voz do governo chinês condena medidas unilaterais dos EUA e afirma que tarifas não devem ser usadas como coerção internacional
A China manifestou apoio ao Brasil nesta sexta-feira (11), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a aplicação de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. A medida, anunciada na quarta-feira (9), foi classificada por Pequim como uma forma de “intimidação”.
“A igualdade soberana e a não interferência nos assuntos internos de outros países são princípios importantes da Carta da ONU e normas básicas nas relações internacionais”, afirmou Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.
A diplomata chinesa reforçou que “tarifas não devem ser usadas como ferramenta de coerção, intimidação ou interferência nos assuntos internos de outros países”, e reiterou que o país asiático se opõe ao abuso de medidas tarifárias com pretextos de segurança nacional.
Na quinta-feira (10), o governo chinês já havia se posicionado contra o aumento de tarifas, destacando que “guerras comerciais não têm vencedores” e que tais medidas prejudicam todos os envolvidos.
A nova tarifa de 50% imposta pelo governo Trump entra em vigor no dia 1º de agosto e coloca o Brasil no topo da lista de países mais afetados pelas novas sanções comerciais dos EUA. Outras 21 nações também foram alvo de tarifas, com alíquotas variando entre 20% e 50%. As Filipinas, por exemplo, receberam a menor taxa.
Além das tarifas generalizadas, produtos como aço, alumínio e, mais recentemente, cobre, já haviam sido atingidos por tarifas setoriais norte-americanas — o que intensifica os efeitos para a economia brasileira. Em abril, o país já havia sido impactado por um aumento tarifário de 10%.
Trump tem intensificado seu discurso contra países do grupo Brics, do qual o Brasil faz parte, e recentemente chegou a ameaçar elevar tarifas a até 100% contra nações que não se alinharem aos interesses comerciais dos EUA.
O líder norte-americano também declarou apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e afirmou que o Brasil “não está sendo bom” para os Estados Unidos, justificando as medidas com base em supostos prejuízos comerciais.
Confira os percentuais aplicados aos 22 países atingidos pelas novas tarifas comerciais:
A resposta do Brasil às tarifas norte-americanas deve incluir medidas diplomáticas e comerciais, conforme já sinalizado pelo governo federal.
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