Henrique Budke reassumiu a prefeitura por decisão do STJ e deve promover troca de secretários para formar equipe de confiança
Poucos dias após reassumir o comando da Prefeitura de Terenos por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o prefeito Henrique Budke (PSDB) determinou a suspensão do expediente nas repartições públicas municipais por três dias. A medida começou a valer nesta segunda-feira (29) e segue até quarta-feira (1º), com o objetivo de reorganizar a estrutura administrativa.
Segundo o decreto, a paralisação temporária atende à necessidade de reorganização da administração após o retorno do prefeito ao exercício do cargo. Os serviços considerados essenciais, como saúde, coleta de lixo, limpeza pública, segurança patrimonial e atendimentos de urgência e emergência, continuam funcionando normalmente.
Além da reorganização administrativa, Budke deve promover mudanças no primeiro escalão do governo municipal. A expectativa é de substituições em secretarias e a nomeação de pessoas de confiança para compor a nova equipe de gestão.
A informação foi confirmada nesta segunda-feira (29) pelo vice-prefeito Arlindo Landolfi Filho (Republicanos), que comandou o município de forma interina durante os nove meses em que Budke permaneceu afastado por decisão judicial.
Segundo Arlindo, as alterações são naturais após o retorno do prefeito. “Agora vai ter umas mudanças internas. Normal, né? Colocar, fazer algumas trocas, pessoas de confiança e fazer essa transição. A transição está bem tranquila, mas é normal dele moldar alguns secretariados, colocar pessoas de confiança, isso faz parte”, afirmou ao jornal Midia Max.
Henrique Budke reassumiu oficialmente o cargo na última quinta-feira (25), após decisão do ministro Ribeiro Dantas, do STJ, que concedeu habeas corpus autorizando seu retorno à Prefeitura de Terenos. O magistrado entendeu que o afastamento cautelar, que durava mais de oito meses, havia se tornado excessivo.
Apesar de voltar ao comando do Executivo, o prefeito continua submetido às medidas cautelares determinadas pela Justiça. Ele segue utilizando tornozeleira eletrônica, está proibido de manter contato com testemunhas e demais investigados e não pode participar de atos administrativos relacionados às licitações e contratos investigados, nem celebrar novos contratos com pessoas ou empresas envolvidas no caso.
Para permitir o retorno ao Paço Municipal, o desembargador Jairo Roberto de Quadros, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), determinou à Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) a retirada da restrição que impedia Budke de acessar a prefeitura, mantendo o monitoramento eletrônico.
O prefeito foi alvo da Operação Spotless, deflagrada em setembro de 2025 pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc). As investigações apontam um suposto esquema de fraudes milionárias em licitações públicas, no qual Budke é apontado pelo Ministério Público como líder da organização investigada. O processo segue em tramitação na Justiça.