Denúncia do Ministério Público foi recebida pela Justiça, que manteve o afastamento dos policiais e a suspensão do porte de arma
A Justiça de Mato Grosso do Sul recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPMS) e transformou em réus o delegado Luccas Rodrigues Gomes e os investigadores Dagoberto Peters e Fernando Cesar Guerra Bagordache, investigados por participação em um suposto esquema de apreensão e desvio de mercadorias contrabandeadas em Dourados.
Também passou à condição de réu Heliton Jesus Sampatti Carvalho, apontado pelas investigações como parceiro dos policiais e atualmente preso. Conforme o Ministério Público, ele possui histórico de condenações por crimes de contrabando e descaminho e teria atuado em conjunto com os agentes públicos.
Os três policiais eram lotados na 2ª Delegacia de Polícia de Dourados e foram afastados das funções em dezembro de 2024, quando também passaram a cumprir medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica. A apuração foi conduzida pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil.
A ação penal corre sob sigilo, mas a decisão publicada no Diário da Justiça revela que o grupo responderá por crimes como peculato, corrupção, organização criminosa, concussão, prevaricação, lesão corporal, adulteração de sinais identificadores de veículos e abuso de autoridade.
Segundo a denúncia, os policiais teriam realizado diligências em imóveis utilizados por contrabandistas e até em um hotel localizado no distrito de Vila Vargas para apreender mercadorias ilegais. O material, conforme a acusação, não seguia o procedimento legal e acabava sendo desviado e posteriormente comercializado.
Entre os elementos reunidos pela investigação estão imagens do circuito interno da 2ª Delegacia registrando a movimentação dos policiais nos dias das apreensões, além de depoimentos de servidores da unidade policial e de pessoas que tiveram cargas apreendidas em abordagens nas rodovias da região.
Na decisão, o Judiciário afirma que os autos apresentam indícios suficientes de materialidade e autoria para justificar a abertura da ação penal. O magistrado destacou que há elementos indicando possível atuação coordenada entre os denunciados, hipótese que deverá ser analisada ao longo da instrução processual, quando serão produzidas e confrontadas as provas.
A Justiça decidiu manter o afastamento do delegado e dos investigadores de suas funções, bem como a suspensão do porte de arma. No entanto, rejeitou o pedido do Ministério Público para suspender o pagamento dos salários e demais benefícios dos servidores enquanto o processo estiver em andamento.