Presidente afirma que exploração das reservas será retomada, mas incertezas políticas e alto custo geram cautela no setor
Durante coletiva de imprensa realizada ontem (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou evidente que o principal interesse de seu governo na Venezuela está ligado ao petróleo. Ao comentar a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro, Trump acusou governos do país de terem “roubado” petróleo norte-americano e afirmou que, a partir de agora, companhias dos EUA passarão a explorar as reservas venezuelanas.
Segundo o presidente, grandes petroleiras americanas devem investir pesado para recuperar a infraestrutura do setor. Ele afirmou que essas empresas irão aplicar bilhões de dólares para reestruturar campos e instalações, atualmente em situação precária, com o objetivo de tornar a produção lucrativa novamente. Na avaliação de Trump, a indústria petrolífera venezuelana vinha operando muito abaixo de seu potencial havia anos.
O discurso reforça sinais já emitidos nas últimas semanas, quando os Estados Unidos apreenderam navios petroleiros ligados a Caracas como parte da pressão exercida sobre o regime de Maduro. Ainda assim, permanece a dúvida sobre o real interesse das empresas americanas em assumir os elevados custos de recuperação do setor. Trump garantiu que os investimentos seriam compensados e que o petróleo produzido seria vendido a diversos países, ampliando o mercado internacional.
A Venezuela declara possuir mais de 300 bilhões de barris de petróleo em reservas, o equivalente a cerca de 17% do total mundial, o maior volume global. Apesar disso, o país enfrenta sérias dificuldades para extrair o óleo, com produção estimada em cerca de um milhão de barris por dia, aproximadamente 1% da produção mundial.
No passado, o país foi referência no setor energético, mas crises econômicas e sociais sucessivas, aliadas à má gestão da estatal PDVSA e às sanções impostas pelos EUA, levaram a indústria ao colapso. Mesmo com alguma recuperação recente, os níveis atuais ainda estão bem abaixo dos mais de dois milhões de barris diários registrados no início da década de 2010.
A PDVSA enfrenta falta de capital e de conhecimento técnico para ampliar a produção. Campos degradados, infraestrutura deficiente, apagões frequentes e até furtos de equipamentos são apontados como entraves, segundo estudo da Energy Aspects. Hoje, grande parte do petróleo venezuelano é direcionada à China, em razão das sanções americanas.
Especialistas avaliam que a retomada significativa da produção exigirá investimentos elevados. A Energy Aspects estima que acrescentar 500 mil barris diários custaria cerca de US$ 10 bilhões e levaria ao menos dois anos. Projetos mais ambiciosos demandariam dezenas de bilhões de dólares ao longo de vários anos.
De acordo com o site Politico, o governo dos EUA vinha oferecendo acesso às reservas venezuelanas a empresários americanos, mas o estado crítico da indústria e a incerteza sobre quem comandará o Palácio Miraflores têm afastado investidores.
Atualmente, a Chevron é a principal companhia ocidental ainda em operação na Venezuela, respondendo por cerca de um quarto da produção nacional. Aproximadamente metade desse volume é exportada para os Estados Unidos. Em nota divulgada neste sábado (3), a empresa informou que trabalha para garantir a segurança de seus funcionários e operações, ressaltando que segue cumprindo todas as leis e regulamentações vigentes.