Declaração em evento no Texas provoca acusações de “entregar riquezas do Brasil” e acirra debate político
Uma declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL) durante participação na CPAC, nos Estados Unidos, gerou forte repercussão no cenário político brasileiro neste fim de semana.
Durante discurso no Texas, o parlamentar afirmou que o Brasil pode ser alternativa estratégica para os Estados Unidos reduzirem a dependência da China em minerais estratégicos.
“O Brasil é a solução para que os Estados Unidos não dependam mais da China em terras raras e minerais críticos.”
Além disso, o senador defendeu que países estrangeiros acompanhem o processo eleitoral brasileiro e exerçam “pressão diplomática” para garantir o funcionamento das instituições. O evento também contou com a presença do deputado federal Eduardo Bolsonaro.
As falas provocaram críticas de integrantes do governo e parlamentares da base aliada. O deputado federal Guilherme Boulos (Psol) classificou o episódio como grave.
“Flávio Bolsonaro se comprometeu publicamente a entregar as terras raras e minerais críticos do Brasil aos EUA.”
Já o deputado Lindbergh Farias (PT) fez críticas duras ao senador, acusando-o de agir contra interesses nacionais.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também reagiu e criticou o posicionamento do parlamentar.
As chamadas terras raras correspondem a um grupo de 17 elementos químicos essenciais para tecnologias modernas, como smartphones, computadores, carros elétricos e turbinas de energia eólica.
O Brasil possui uma das maiores reservas do mundo — ficando atrás apenas da China — o que coloca o país em posição estratégica no cenário global de tecnologia e energia.
A fala ocorre em meio ao cenário pré-eleitoral e amplia o debate sobre soberania nacional, exploração de recursos naturais e relações internacionais. O tema deve seguir no centro das discussões políticas nos próximos meses, especialmente diante da importância econômica das terras raras.