Novo mandatário recebeu 199 votos contra 50 de Citadini e 14 de André Castro; dirigente assume mandato-tampão e terá desafios imediatos, como derrubar o transfer ban da Fifa
Os conselheiros do Corinthians elegeram nesta segunda-feira (25) Osmar Stábile como novo presidente do clube, com 199 votos, contra 50 de Roque Citadini e 14 de André Castro. Stábile já ocupava o cargo de forma interina desde maio, após o afastamento de Augusto Melo, que teve o impeachment confirmado em assembleia de sócios no dia 9 de agosto.
Primeiro vice-presidente eleito na chapa de Melo em 2023, Stábile — empresário do setor metalúrgico — se afastou do ex-aliado após os escândalos que levaram ao afastamento do antigo mandatário, réu por lavagem de dinheiro, associação criminosa e furto qualificado, relacionados a irregularidades no contrato com a ex-patrocinadora Vai de Bet.
Agora oficialmente no comando, Stábile tem como prioridade derrubar o transfer ban imposto pela Fifa, que impede o clube de registrar novos jogadores. A punição está relacionada ao não pagamento de R$ 33 milhões ao Santos Laguna, referente à compra do zagueiro Félix Torres.
Além disso, Stábile precisará lidar com a pressão de torcidas organizadas, que marcaram presença no Parque São Jorge durante a eleição, com faixas pedindo reforma no estatuto do clube. Algumas exibições irônicas também chamaram atenção, como notas falsas de R$ 100 com rostos de ex-dirigentes, acompanhadas da mensagem:
"Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão."
Com a queda de Melo, seu grupo político se fragmentou. Parte migrou para Citadini, enquanto outros se alinharam a Stábile, que conquistou apoios decisivos, como Paulo Garcia, Antônio Rachid, Miguel Marques e Fran Papaiordanou.
Roque Citadini, veterano da política do clube, chegou a afirmar que não concorreria, mas voltou atrás alegando que o Corinthians vivia uma situação “quase sem saída”. Já André Castro, considerado o “azarão” da disputa, ganhou projeção ao prometer um aporte de US$ 1 bilhão por meio de um banco de fomento mercantil, mas não conseguiu viabilizar apoio suficiente.
Stábile, por outro lado, optou por trabalhar nos bastidores e manter um perfil discreto, usando sua atuação interina como principal argumento para conquistar os votos.
Agora, o novo presidente terá o desafio de reorganizar o clube, fortalecer as finanças e tentar reconstruir a imagem do Corinthians após meses de crise institucional.