Projeto pioneiro apostou na internet quando o ensino a distância ainda era dominado por TV e satélite
A educação a distância do Centro Universitário da Grande Dourados (UNIGRAN) completa nesta terça-feira, 11 de março de 2026, 20 anos de atuação, marcando uma trajetória de inovação tecnológica, expansão acadêmica e impacto social. Ao longo dessas duas décadas, o sistema de ensino digital da instituição formou mais de 20 mil profissionais, distribuídos em diferentes estados brasileiros e também em diversos países.
Atualmente, a UNIGRAN EaD está presente em quatro continentes, com polos e estudantes em dezenas de países, ampliando a presença acadêmica da instituição para além das fronteiras nacionais.
A história da modalidade começou a ser construída entre 2004 e 2005, quando o mantenedor da instituição, Murilo Zauith, propôs um modelo de ensino que rompia com o padrão predominante na época. Enquanto grande parte das universidades utilizava televisão ou transmissão via satélite, a UNIGRAN decidiu apostar em um formato totalmente on-line, baseado na internet.
O diretor de Informática da instituição, Adriano Câmara, que atua na universidade há mais de 30 anos, lembra que a decisão exigiu inovação e desenvolvimento tecnológico.
Segundo ele, o projeto representou um desafio importante, pois a internet ainda era limitada e o ensino digital praticamente não existia no formato atual. A equipe precisou desenvolver soluções próprias para viabilizar a transmissão de conteúdos educacionais pela rede.
A chanceler da UNIGRAN, Rosa Maria D’Amato de Déa, que acompanha a história da instituição há cinco décadas, destaca que a modalidade também surgiu para ampliar o acesso ao ensino superior em cidades que não possuíam universidades.
De acordo com ela, diversas prefeituras solicitavam a presença da instituição no interior, mas a criação de unidades físicas em todos os municípios seria inviável. Nesse cenário, o ensino a distância se apresentou como alternativa para levar educação de qualidade a diferentes regiões do país.
Quando o projeto começou a ser estruturado, a internet ainda era utilizada principalmente por conexões discadas, com baixa velocidade e frequentes instabilidades.
O responsável pelo estúdio de produção de videoaulas da instituição, Giovani Souza Rosa, que iniciou sua trajetória na universidade em 1997, relembra que as primeiras experiências com o ensino on-line começaram de forma experimental.
Segundo ele, muitos alunos viajavam de ônibus de cidades vizinhas para estudar em Dourados. A partir dessa realidade, algumas disciplinas passaram a ser transmitidas pela internet para estudantes em dependência, o que acabou dando origem às primeiras iniciativas da modalidade EaD.
Para garantir autonomia e qualidade ao projeto, a UNIGRAN investiu na criação de uma infraestrutura tecnológica própria, desenvolvida integralmente em Dourados.
A plataforma digital reúne diferentes sistemas acadêmicos em um único ambiente virtual, integrando vestibular on-line, ambiente de aprendizagem, portal de relacionamento com estudantes e gestão dos polos.
Segundo Adriano Câmara, essa integração permitiu que o sistema evoluísse continuamente, incorporando novas tecnologias e ferramentas educacionais ao longo do tempo.
Outro marco da implantação foi a utilização de streaming de vídeo pela internet para transmitir aulas, tecnologia que ainda estava em estágio inicial no período.
O responsável pela operação da UNIGRAN EaD na América do Norte, Ricardo Fava, que atua na instituição desde 1996, relembra que a equipe instalou um servidor dentro da própria universidade para viabilizar as transmissões.
A estratégia facilitou a expansão internacional do projeto, já que o modelo não dependia de sinal de satélite. Com isso, a instituição conseguiu abrir polos em regiões como Europa e Japão, ampliando o alcance global da modalidade.
Para garantir estabilidade nas transmissões, a universidade passou a utilizar sistemas de distribuição de conteúdo em rede, conhecidos como CDN (Content Delivery Network), tecnologia ainda empregada atualmente.
Desde o início da modalidade, a instituição também investiu em infraestrutura audiovisual para produção das aulas.
De acordo com Giovani Souza Rosa, o primeiro estúdio de gravação já possuía estrutura comparável à de emissoras de televisão da região. Com o passar dos anos, os equipamentos foram modernizados e os professores passaram a contar com suporte técnico e pedagógico para produção de conteúdo educacional.
Nos primeiros anos, transmissões ao vivo também marcaram o modelo, especialmente nas chamadas aulas inaugurais, que eram acompanhadas simultaneamente por estudantes conectados em diferentes estados.
O crescimento da modalidade exigiu um trabalho intenso de implantação de polos em diversas cidades brasileiras.
O professor Reginaldo José da Silva, coordenador dos cursos de Ciências Contábeis, Gestão Pública e Gestão Financeira, ingressou na instituição em 2008 e participou diretamente da expansão.
Segundo ele, a equipe percorreu diferentes regiões do país para apresentar o modelo de ensino e implantar novos polos, muitas vezes enfrentando limitações de infraestrutura de internet em várias localidades.
Ao longo dos anos, a UNIGRAN desenvolveu uma metodologia própria de ensino a distância, construída internamente e aperfeiçoada de forma contínua.
Atualmente, o ambiente educacional reúne diferentes formatos de aprendizagem, como videoaulas, webaulas, transmissões ao vivo, atividades interativas e espaços colaborativos de estudo.
Nos últimos anos, a instituição também passou a incorporar tecnologias baseadas em inteligência artificial ao processo educacional.
Entre os recursos disponíveis estão assistentes virtuais de aprendizagem, ferramentas de produção de conteúdo digital e integração com o Google for Education, além da plataforma UNIMIND, desenvolvida pelo próprio Centro Universitário.
Segundo Adriano Câmara, a inovação tecnológica precisa caminhar junto com a humanização do ensino, preservando a interação entre professores e estudantes.
A universidade também tem investido em experiências educacionais inovadoras, como realidade virtual e projetos de Educação 360°, que permitem aos estudantes acompanhar atividades laboratoriais de forma interativa.
Outro avanço foi a ampliação do modelo semipresencial, regulamentado pelo Ministério da Educação, que combina atividades on-line com práticas presenciais.
De acordo com a chanceler Rosa Maria D’Amato de Déa, a instituição conta atualmente com mais de 100 laboratórios nas áreas de saúde, engenharias, agronomia e tecnologia, permitindo integrar teoria e prática na formação acadêmica.
Para o diretor de Ensino a Distância da UNIGRAN, Rafael de Arruda, o principal impacto da modalidade está na democratização do acesso ao ensino superior.
Segundo ele, o ensino a distância possibilita a formação profissional e a ascensão social de pessoas que, muitas vezes, não teriam acesso ao ensino superior por limitações econômicas, geográficas ou sociais.
Após 20 anos de atuação, a UNIGRAN EaD consolidou-se como um projeto educacional construído coletivamente por professores, técnicos e gestores da instituição.
Para Ricardo Fava, um dos maiores legados da modalidade é a credibilidade construída ao longo dos anos, baseada no compromisso com a qualidade acadêmica.
Com cinco décadas de história institucional e duas décadas de ensino digital, a universidade projeta novos avanços para o futuro.
Segundo o diretor Rafael de Arruda, a instituição mantém o compromisso de continuar inovando, garantindo que os estudantes saiam da universidade preparados com formação tecnológica, prática e alinhada às exigências do mercado de trabalho.