Vítima de 29 anos foi espancada e marcada com suástica nazista; um dos suspeitos é filho de oficial da Polícia Militar
A Justiça converteu em prisão preventiva a detenção dos três homens acusados de torturar uma mulher trans de 29 anos em Ponta Porã. A decisão foi tomada neste domingo (15), após os suspeitos terem sido presos em flagrante pelo crime ocorrido na madrugada de sábado (14).
Entre os detidos está um homem de 38 anos, identificado como filho de um tenente-coronel da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, de Dourados. Também foram presos outros dois envolvidos, de 22 e 25 anos.
Conforme o boletim de ocorrência, a vítima foi submetida a diversas agressões físicas e ameaças durante a madrugada. Em um dos atos de violência, ela teve uma suástica nazista gravada no braço esquerdo.
Segundo o relato à polícia, a mulher estava em casa quando foi procurada pelo ex-companheiro, que tentou reatar o relacionamento. Horas depois, no fim da tarde, uma mulher entrou em contato com a vítima e pediu que ela fosse até uma residência para receber um pagamento e realizar um serviço de corte de grama.
A vítima foi até o local acompanhada do ex, levando o equipamento de trabalho.
De acordo com o depoimento, ao entrar no escritório da residência, a vítima encontrou o ex segurando uma faixa de jiu-jitsu, enquanto o morador da casa estava sentado diante de um recipiente contendo uma pequena quantidade de sangue.
Ainda segundo o registro policial, o homem ordenou que ela cheirasse o frasco e levasse o conteúdo para enterrar, mas a vítima recusou.
Em seguida, ela teria sido obrigada a se sentar e questionada se preferia morrer em pé ou sentada. Assustada, tentou fugir do local, mas acabou segurada pelo ex-companheiro, enquanto outro homem passou a agredi-la com um taco de sinuca.
A vítima relatou que foi espancada repetidamente com golpes de vassoura, socos e joelhadas. Enquanto um dos autores a agredia, outro a imobilizava.
Em determinado momento, um dos suspeitos esquentou uma faca no fogo e marcou uma suástica no braço esquerdo da vítima. Durante as agressões, ela também teria sido ameaçada de morte caso procurasse a polícia.
Após a prisão em flagrante, os três suspeitos tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça, permanecendo à disposição do Judiciário enquanto o caso segue sob investigação.