O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desocupou, neste domingo (27), a área invadida no distrito de Panambi, em Dourados, após negociação envolvendo o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A intervenção evitou o agravamento do conflito instalado depois que cerca de 300 famílias ocuparam uma propriedade da empresa JBS, às margens da MS-379.
A ocupação, iniciada na manhã de sábado (26), teve como objetivo denunciar o suposto descumprimento da função social da área, que, segundo o MST, estaria improdutiva há mais de 12 anos. O grupo reivindicava o assentamento das famílias que já ocupavam a região próxima à rodovia.
A ação dos sem-terra gerou reação imediata dos proprietários e mobilizou forças estaduais de segurança, incluindo o Batalhão de Choque, o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) e o Corpo de Bombeiros. Durante a operação para retirada dos ocupantes, houve o uso de bombas de efeito moral e balas de borracha, aumentando a tensão no local.
Diante do risco de confronto, representantes do Governo Federal atuaram para mediar a situação. As superintendências do MDA e do Incra solicitaram que a operação policial fosse proporcional, priorizando a segurança das famílias. As deputadas Camila Jara (PT-MS) e Gleice Jane (PT-MS) também acompanharam as negociações.
Em nota pública, a direção nacional do MST repudiou a atuação da Polícia Militar, classificando a operação como “truculenta e sem mandado judicial”. Segundo o movimento, drones sobrevoaram o acampamento e houve bloqueio da rodovia de acesso, além de relatos de agressões durante a ação de despejo.
O terreno ocupado pertence à JBS Aves, conforme informou o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira.
No comunicado, o MST também relembrou que, apenas em 2024, a comunidade do acampamento já foi alvo de três incêndios e um ataque de pistoleiros, e cobrou providências urgentes para o assentamento das famílias.
A desocupação ocorreu de forma pacífica após o acordo, e agora o caso segue em análise pelos órgãos federais responsáveis pela política de reforma agrária.