Mesmo com aumento de tutores adotando animais domésticos e gastando mais no consumo de serviços e produtos pets em Dourados (MS), a cidade não para de registrar abandonos e maus-tratos, práti
Mesmo com aumento de tutores adotando animais domésticos e gastando mais no consumo de serviços e produtos pets em Dourados (MS), a cidade não para de registrar abandonos e maus-tratos, práticas cada vez mais frequentes. O caso chocante de agressões, tortura e morte da gatinha ‘Xispita’ por um jovem de 20 anos morador de um bairro nobre da cidade ascendeu alerta para grupos e associações de ativistas pelas causas animais.
Em Dourados, são dezenas de clínicas e lojas de produtos e serviços para pets. Enquanto a cidade expande as empresas de clínicas veterinárias, lojas de produtos pet, serviços de banho e tosa de gatos e cachorros, pessoas que trabalham no resgate, lares temporários e adoções de pets cada vez mais não conseguem atender a demanda de solicitações de socorro e resgate para animais domésticos em situação de abandono e maus-tratos, muitos deles malcuidados e chegando até a morte por crimes como o da gatinha Xispita.
No dia 27 de fevereiro, ativistas realizam o ato pacífico pela Xispita e por todos os animais cruelmente assassinados “Crueldade Nunca Mais! ”, em frente da Primeira Delegacia de Polícia Civil da Rua Cuiabá em Dourados. Com a manifestação, a população decidiu elevar a voz por aqueles que não podem falar.
Uma protetora alertou que “já passou da hora dos órgãos responsáveis pelas leis, fazerem com que elas sejam cumpridas. Nós, protetores nos deparamos diariamente com dezenas de casos bárbaros como este da gatinha Xispita. O problema é que nem todos [os casos] ocorrem em lugares que são filmados, porém, quando chegam ao nosso conhecimento, todos são denunciados”. A ativista lamenta que, “infelizmente, a impunidade tem sido a mola propulsora para o aumento acelerado desses crimes”.
A protetora relatou um caso bárbaro. Segundo ela, “há cerca de 60 dias, num sábado à noite, o projeto Amor Animal recebeu uma denúncia de um homem embriagado que amarrou uma corda no pescoço de seu animal. Ele jogava o cão para cima e puxava com a corda até o corpo do animal cair no chão. Não contente, ainda dava tijolada nele. Acionei o CCZ, que acionou a Guarda Municipal, porém, no domingo de manhã, o indivíduo já estava em casa, como se não tivesse feito nada. Como disse, esse é apenas um caso de inúmeros. Ou seja, enquanto as leis não foram realmente colocadas em prática, continuaremos enxugando gelo”.
Disparada de casos
Segundo dados da Polícia Militar Ambiental, os casos de maus-tratos contra animais aumentaram em 2021 com relação ao ano anterior. O número de pessoas autuadas aumentou e o valor das multas aplicadas também. Em todo o ano passado, 686 animais foram vítimas do crime ambiental de maus-tratos. Já em 2020 foram registrados 642 casos.
A Polícia Militar Ambiental aplicou R$ 656 mil em multas no ano de 2021, sendo registrado crescimento 84% em relação a 2020, quando o valor total aplicado foi de R$ 357.550,00. 48 pessoas foram autuadas por maus-tratos no ano passado contra 42 infratores identificados no ano anterior.
A pena para maus-tratos contra gatos e cachorros é de dois a cinco anos de reclusão. Se houver flagrante, o agressor é detido. Segundo a PMA, além da penalidade criminal, o infrator que comete qualquer tipo de maus-tratos contra animais é multado administrativamente em R$ 500,00 a R$ 3.000,00 por animal.