Confira a entrevista com Luis Henrique dos Santos, morador em Dourados, formado em Direito, possui o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade. O filho dele também possui TDAH
13/07/2021 08h28 - Por: Dourados Agora
O dia 13 de julho é considerado o Dia Mundial do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). A data foi criada para espalhar informações sobre o tema, conscientizar e desmistificar rótulos. O TDAH é um transtorno neuropsiquiátrico mais comum em crianças e adolescentes, mas que pode acometer a pessoa por toda a sua vida. Segundo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), ele ocorre em 3% a 5% das crianças de diferentes regiões do mundo e, em mais da metade dos casos, o transtorno acompanha o indivíduo na vida adulta.
Em Dourados, a luta de Luis Henrique dos Santos, garantiu tramitação de importantes Projetos de Lei nas esferas municipal e estadual. Em entrevista ao site, ele destacou que muita coisa precisa ser melhorada e cobrou mais atenção do poder público em relação a causa. Confira a entrevista:
Dourados Agora- Como é lidar com TDAH no dia-a-dia?
Luis Henrique: Não é nada fácil, ao menos para minha pessoa. Digo isto porque é muito subjetivo e dependerá muito do grau de tdah e se é só hiperativo, desatencioso ou o combinado que é a regra e meu caso. Agora, também não é nada fácil lidar com um filho hiperativo, sendo hiperativo.
Dourados Agora-Quando começou sua luta pela causa?
Luis Henrique: No segundo semestre de 2019 quando pesquisei na Internet sobre o assunto me deparando com uma lei gaúcha que dava direitos aos alunos como sentar em locais estratégicos, tempo a mais de prova e materias adaptados. Na época movia uma ação de medicamentos pela defensoria pública e numa dessas idas cruzei com o deputado Barbosinha que foi meu professor na Unigran. Costumo dizer que Deus o colocou no caminho. Ele me ouviu, me passou seu número particular e lhe enviei todo material. Com 15 dias estava pronta . Desta também quero salientar que nasceram as ideias da semana do tdah e direito a sessão especial para o Transtorno de expectro autista.
Dourados Agora- O poder público avançou em relação as políticas públicas para garantir o suporte necessário aos TDAHs?
Luis Henrique: Acredito que pouco ou quase nada em relação ao tdah. Está certo que são leis novas em alguns estados como Amazonas que a época da minha era projeto de lei e tinha apoio direto da OAB. Nós temos uma pl no senado há mais de 10 anos e não saiu. A lei prevê que seja entregue um laudo, mas este tipo de exame não é oferecido pelo sus e é muito caro. Aliás, este será o próximo a ser buscado.
Dourados Agora-Na sua visão, o que precisa melhorar?
Luis Henrique: É preciso apoio dos pais e amigos do tdah. É preciso que as pessoas tomem ciência deste transtorno de aprendizagem que torna a vida do estudante tortuosa. Diferente dos autista e down que é explícito o problema, o hiperativo não quer se expor. Veja bem, eu fiz as leis municipais de Dourados sozinho indo quase todos os dias ou ao nenos semanas seguidas e o vereador Madson Valente em 2019 dizia : (...) o Luis (...) representante do grupo de pais (...) mas eu estava sozinho. E por complemento, não há associação de TDAH no Estado.
Dourados Agora- Quais as experiencias que tem vivenciado com seu filho? A escola está adaptada para atende-lo?
Luis Henrique: São muitas experiências com meu filho. Na maioria boas, ainda que nesta luta solitária. Ele é muito inteligente e um bom aluno. Nunca precisei exercitar os direitos na escola. O que está ocorrendo é que em sistema remoto não há como se dizer se a criança é hiperativa e/ ou distraída pelo fato que qualquer criança tornar- se a nestas circunstâncias anormais causada pela pandemia.
Realmente não sei dizer em termos gerais. Muitos me diziam que havia as diretrizes educacionais que previam estes direitos ao caso em concreto. Mas diretrizes não são leis. Cansei de ver reportagens em que a criança foi " convidada" ou obrigada a sair da escola ainda que com laudo.