Prefeitura registrou apenas 86 notificações na última semana epidemiológica, contra 1.209 no pico da doença; município soma 17 mortes em 2026
Trabalho de combate aos focos do mosquito Aedes aegypti continua em todos os bairros de Dourados. Foto: A. Frota
As notificações de casos suspeitos de Chikungunya registraram uma queda expressiva em Dourados. Dados divulgados nesta terça-feira (14) pelo Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), referentes à 27ª Semana Epidemiológica, mostram que entre os dias 5 e 11 de julho foram contabilizadas apenas 86 notificações da doença e nenhum novo caso confirmado.
O número representa uma redução de mais de 90% em relação ao auge da epidemia, quando a 12ª Semana Epidemiológica registrou 1.209 notificações e 672 casos confirmados nas aldeias indígenas e no perímetro urbano do município.
Apesar da melhora nos indicadores, o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, alerta que Dourados ainda permanece em situação epidêmica.
Segundo ele, a redução dos casos não significa que o risco passou e a população precisa continuar eliminando criadouros do mosquito Aedes aegypti.
"Não podemos baixar a guarda para o mosquito Aedes aegypti porque ele é traiçoeiro e quando menos se espera está de volta trazendo agravamentos de casos e superlotação da rede hospitalar", afirma o secretário, que também coordena o COE.
Desde o início da epidemia, Dourados notificou 10.101 casos de Chikungunya. Desse total, 5.425 foram classificados como casos prováveis e 4.908 tiveram confirmação laboratorial. Outros 4.676 casos foram descartados e 517 permanecem em investigação.
O boletim aponta ainda taxa de positividade de 51,21% e taxa de ataque de 2,05%. Até o momento, a doença provocou 17 mortes no município, sendo 12 entre moradores das aldeias Bororó e Jaguapiru.
De acordo com Márcio Figueiredo, a redução das notificações é resultado das ações integradas desenvolvidas pela Prefeitura de Dourados em parceria com o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei-MS) e da Secretaria de Estado de Saúde.
O secretário também destacou o trabalho do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), que mobilizou quase uma centena de agentes de combate às endemias para vistoriar milhares de imóveis, eliminar focos do mosquito e realizar tratamento químico em áreas com maior risco de transmissão.
Ele reforçou que a participação da população continua sendo decisiva para evitar uma nova onda da doença.
O boletim epidemiológico também apresenta o cenário da dengue em Dourados. Desde janeiro foram registradas 1.372 notificações, das quais 463 foram consideradas casos prováveis e 132 confirmadas.
Ao todo, 909 notificações foram descartadas e 331 permanecem em investigação. O município não registrou mortes por dengue em 2026, embora quatro gestantes tenham sido diagnosticadas com a doença.
A faixa etária com maior número de casos confirmados é a de pessoas entre 20 e 29 anos, enquanto crianças de até nove anos concentram o menor número de registros.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, os indicadores mostram que, apesar da epidemia de Chikungunya, a dengue permanece sob controle em Dourados.