Reserva Indígena já soma mais de 2 mil casos confirmados e 35 pacientes seguem internados em hospitais do município
Ações de limpeza dentro do mutirão de combate à Chikungunya já recolheu 250 toneladas de resíduos sólidos das aldeias Bororó e Jaguapiru- Foto: Divulgação/ Assecom
Os números mais recentes do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE) apontam uma desaceleração da epidemia de Chikungunya nas aldeias Bororó e Jaguapiru, em Dourados. Apesar da redução nos atendimentos de pacientes em fase aguda da doença, as equipes de saúde, combate às endemias e limpeza urbana continuam mobilizadas dentro da Reserva Indígena para evitar novos avanços do vírus.
As ações fazem parte do Plano de Ação de Incidente para o Enfrentamento da Chikungunya, elaborado pela Prefeitura de Dourados para coordenar medidas emergenciais tanto na Reserva Indígena quanto na área urbana do município. O documento reúne estratégias como reforço da rede de saúde, mutirões de limpeza, ampliação das equipes e vacinação contra a doença.
Segundo o secretário municipal de Saúde e coordenador-geral do COE, Márcio Figueiredo, o recuo nos casos é reflexo direto das medidas adotadas durante a situação de emergência e calamidade pública decretada pelo município. “Esse recuo é resultado das ações firmes definidas pelo Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública, sobretudo os decretos de emergência e calamidade que possibilitaram reforço na atenção de saúde, mutirão de limpeza, contratação de mais profissionais e implementação da vacina contra a Chikungunya em toda rede básica”, afirmou.
Os relatórios divulgados nesta terça-feira (5) mostram redução significativa nos casos da fase aguda da doença, considerada o período entre 1 e 14 dias após os primeiros sintomas.
Na Aldeia Bororó, a Equipe 2 realizou 54 consultas clínicas e identificou apenas quatro pacientes na fase aguda, além de seis em fase subaguda. Nenhum caso crônico foi registrado. Já a Equipe 1 da mesma aldeia não precisou fazer remoções hospitalares nem buscas ativas por novos pacientes.
Na Aldeia Jaguapiru, a Equipe 1 realizou 82 atendimentos e encontrou três pacientes na fase aguda, oito em fase subaguda e um em fase crônica. Também não houve necessidade de transferências para hospitais. A Equipe 2 da Jaguapiru atendeu 29 pessoas e não registrou nenhum novo caso agudo.
No assentamento Nhuvera, localizado dentro da Reserva Indígena, foram realizadas 29 consultas sem registro de pacientes em fase aguda da doença.
Mesmo com os sinais de redução, os números gerais ainda preocupam. O boletim epidemiológico do COE aponta 3.141 notificações de casos suspeitos de Chikungunya na Reserva Indígena. Deste total, 2.418 são considerados casos prováveis, 2.071 já foram confirmados, 723 descartados e outros 347 seguem em investigação.
Outro dado que mantém o alerta das autoridades é o número de internações provocadas por complicações da doença. Atualmente, 35 pacientes permanecem hospitalizados em Dourados. O Hospital Universitário da UFGD concentra o maior número de internações, com 18 pacientes. Também há registros no Hospital Regional, Hospital da Vida, Hospital Evangélico Mackenzie, Hospital da Unimed, Hospital Cassems e no Hospital Indígena Porta da Esperança, da Missão Caiuá.
Além da assistência médica, a força-tarefa de limpeza segue intensificada dentro da Reserva Indígena. Até esta terça-feira, o mutirão já havia recolhido 250 toneladas de resíduos sólidos, eliminando materiais que poderiam servir de criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor também da dengue e zika.
A ação reúne equipes da Defesa Civil, Semsur, Secretaria Municipal de Saúde, Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) e Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), em uma operação permanente coordenada pelo COE.