O clima continua tenso para moradores de chácaras vizinhas a aldeia Bororó em Dourados. Neste sábado (26) ocorreu pelo menos dois ataques, um deles contra um casal que estava em um carro e outro contra um motociclista. Os casos foram registrados na delegacia.
Conforme ocorrência, o homem de 47 anos e a mulher de 51 informaram que, por volta das 16h40, retornavam para a chácara onde moram, por uma estrada vicinal nas imediações de um posto de combustível na avenida Guaicurus, quando próximo a uma mata de empresa de engenharia, foram alvejados por um grupo de aproximadamente 30 indígenas.
O carro que o casal estava, um Fiat Uno cor branca, teve o para-brisa quebrado, além da lataria, de ambos os lados, toda danificada por pedradas. Além disso, relataram que uma das pessoas fez disparo com arma de fogo para o alto (não acertando o veículo). O homem relatou ainda que, temendo pela vida, empreendeu fuga rapidamente. Eles não sofreram ferimentos.
Já um jovem de 19 anos relatou na delegacia que deixou às 15h a chácara da casa da mãe, denominada sitioca União, e ao passar de motocicleta próximo a estrada da antiga pedreira, quatro indígenas passaram a jogar pedras. Um deles lançou um facão, atingindo o braço do motociclista. Temendo pela vida, o jovem acelerou e foi para delegacia registrar ocorrência.
Os casos foram registrados na delegacia como dano, disparo de arma de fogo e lesão corporal dolosa.

Tensão
O clima na região é tenso há anos, mas se intensificou nas últimas três semanas. Outros moradores de chácaras registram ocorrência policial em razão de grupos soltarem rojões e passarem a atear fogo na vegetação.
Conforme mostrou a reportagem, equipe policial foi ao local e constatou, inclusive, barulhos de disparo de arma de fogo. A viatura foi atingida por pedras.
O problema de conflito na região se iniciou em 2012, após a construção do anel viário, iniciando invasão de chácaras. A rodovia foi tida como uma espécie de divisor de águas entre a cidade e a aldeia.
Com isso, quem ficou do lado da aldeia passou a ter problema de invasão, pois indígenas alegam que as terras pertencem a eles. O caso foi parar no STF (Supremo Tribunal Federal), mas está parado.
Alguns moradores de chácaras chegaram a ser expulsos de suas casas, enquanto outros, para não perderem as terras, passaram a contratar segurança particular.