Natural de Bela Vista e criado em Campo Grande, Maycon Douglas tinha 35 anos e atuava como vendedor ambulante e ex-paratleta
O cadeirante Maycon Douglas, de 35 anos, assassinado no último dia 13 ao ser arremessado do quarto andar de um edifício em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, era natural de Bela Vista e cresceu em Campo Grande. A família, que reside na Capital sul-mato-grossense, afirmou ter tomado conhecimento do crime apenas nesta quinta-feira (26), por meio das redes sociais.
Conforme apurado, Maycon mudou-se para Campo Grande aos 11 anos e morou nos bairros São Conrado e Vila Fernanda. Ao longo da vida, destacou-se como paratleta profissional, palestrante e liderança de movimento social. Nos últimos anos, decidiu percorrer o país. Estava vivendo em Maceió, onde ganhou visibilidade após vídeos publicados nas redes e participação em reportagem da TV local.
Em entrevista à TV Gazeta, Maycon afirmou que utilizava a própria deficiência como combustível para superar desafios. Ele trabalhava como vendedor ambulante, mas já havia atuado no esporte de alto rendimento e em atividades de liderança.
O homicídio ocorreu em um prédio residencial na orla de Boa Viagem. Segundo as investigações, o suspeito — que não teve o nome divulgado — desceu do apartamento acompanhado de uma amiga e conheceu Maycon no calçadão, onde ele vendia doces. Sensibilizado com a história do cadeirante, o homem o convidou para subir ao imóvel.
De acordo com a polícia, os três permaneceram conversando por um período. Em determinado momento, o suspeito teria apresentado comportamento alterado, tentou agredir a amiga — que conseguiu fugir com auxílio de uma funcionária do prédio — e, em seguida, arremessou Maycon da varanda junto com a cadeira de rodas. A vítima morreu no local.
O delegado Rodrigo Bello, da Polícia Civil de Pernambuco, relatou que o autor, ainda em aparente surto, passou a lançar objetos da varanda e depois se jogou do edifício. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital.
O caso é investigado pela 3ª Delegacia de Homicídios da Capital, vinculada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa de Pernambuco.
Em publicação nas redes sociais, uma familiar afirmou que Maycon vivia nas ruas por escolha própria, apesar de manter vínculo com a família e receber pensão. Segundo o relato, ele saiu de casa aos 20 anos para viajar pelo Brasil e raramente informava onde estava.
A família cobra esclarecimentos sobre a localização do corpo, a identificação formal do autor e a divulgação de imagens de câmeras de segurança que possam ajudar a esclarecer os fatos.