Partes do animal atropelado no Pantanal serão usadas em pesquisas da UFMS para conservação da espécie
Pesquisadores retirando material genético da onça vítima de atropelamento (Foto: Divulgação/Reprocon)
A morte de uma onça-pintada atropelada na BR-262, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, resultou em uma ação científica que pode ajudar a preservar a espécie. Partes do animal, como a orelha e os testículos, foram recolhidas por pesquisadores para estudos avançados voltados à conservação — incluindo a possibilidade futura de clonagem.
A coleta foi realizada por integrantes do Reprocon, grupo ligado à UFMS, que atua no desenvolvimento de técnicas inovadoras de reprodução e preservação de animais silvestres.
O felino, um macho jovem com cerca de três anos, foi filmado logo após o atropelamento, ainda tentando se mover pela pista. A cena evidenciou a gravidade dos impactos causados por colisões em rodovias que cruzam o bioma pantaneiro.
De acordo com a coordenadora do projeto, Thyara de Deco Souza e Araujo, o animal estava em fase de dispersão — período em que deixa o território materno para buscar espaço próprio e iniciar o ciclo reprodutivo.
A retirada dos tecidos foi feita em campo pelo médico-veterinário e pesquisador Gediendson Ribeiro de Araujo. Esses materiais, chamados de tecidos vivos, são fundamentais para pesquisas genéticas e podem ser preservados em biobancos para uso em técnicas como reprodução assistida.
Atualmente, o laboratório da universidade já conta com mais de 70 amostras de felinos armazenadas, sendo oito de onças-pintadas vítimas de atropelamento.
Além dos tecidos vivos, os pesquisadores também coletam outros materiais biológicos, como sangue, penas, gametas e embriões, que auxiliam tanto em estudos científicos quanto em estratégias de preservação da fauna silvestre.
A iniciativa reforça a importância da ciência como ferramenta para tentar reverter os impactos causados pela ação humana sobre espécies ameaçadas.