Mais de 30 municípios já superam 90% de cobertura, mas Estado ainda enfrenta desafios para alcançar os 100% de coleta e tratamento previstos pelo Marco Legal do Saneamento
Entre os municípios que registram os maiores índices estão Três Lagoas, Ponta Porã, Bonito e Dourados
Mato Grosso do Sul segue entre os estados com melhor desempenho no saneamento básico e já conta com mais de 30 municípios que ultrapassaram 90% de cobertura de coleta e tratamento de esgoto. Os números colocam diversas cidades sul-mato-grossenses em posição favorável para alcançar as metas estabelecidas pelo Novo Marco Legal do Saneamento.
Entre os municípios que registram os maiores índices estão Três Lagoas, Ponta Porã, Bonito e Dourados. Em algumas localidades, como Bataguassu, Brasilândia e Ribas do Rio Pardo, a cobertura já alcança cerca de 99%.
Apesar dos avanços, especialistas ressaltam que os percentuais não refletem, necessariamente, a realidade completa do serviço prestado. Isso porque a cobertura da rede não garante que todo o esgoto produzido esteja sendo coletado e tratado adequadamente.
Problemas como ligações irregulares, imóveis não conectados à rede disponível, sistemas subutilizados e falhas operacionais podem comprometer a eficiência do saneamento, mesmo em municípios com índices considerados elevados.
Outro desafio está relacionado à desigualdade no acesso. Em muitos casos, áreas centrais apresentam cobertura próxima da universalização, enquanto bairros periféricos e regiões mais afastadas ainda enfrentam dificuldades para acessar os serviços.
O crescimento dos indicadores nos últimos anos é resultado da ampliação da infraestrutura de saneamento, com investimentos em redes coletoras, estações elevatórias, unidades de tratamento e novas ligações domiciliares. As obras permitiram ampliar significativamente o alcance dos serviços em diversas regiões do Estado.
No entanto, especialistas destacam que a expansão da rede precisa ser acompanhada por investimentos contínuos em manutenção e operação. Sem esse suporte, existe o risco de deterioração dos sistemas e queda na qualidade do atendimento ao longo do tempo.
A meta nacional estabelecida pelo Novo Marco Legal do Saneamento prevê que, até 2033, 90% da população brasileira tenha acesso à coleta e ao tratamento de esgoto. Mato Grosso do Sul aparece em posição privilegiada nessa corrida, mas ainda precisa superar gargalos importantes para transformar os índices de cobertura em universalização efetiva.
Entre os principais desafios estão a ampliação dos serviços em áreas rurais, a regularização das ligações domiciliares e a garantia de tratamento adequado de todo o volume coletado. Especialistas avaliam que somente com esses avanços será possível converter os números positivos em melhorias concretas para a saúde pública, o meio ambiente e a qualidade de vida da população.