Mato Grosso do Sul tem a 3ª maior taxa de mortes violentas de caminhoneiros do Brasil
Mato Grosso do Sul aparece entre os estados brasileiros com maior índice de mortes violentas envolvendo caminhoneiros. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que o Estado ocupa a terceira posição no ranking nacional de taxa de mortalidade por causas externas entre motoristas de caminhão, com 1,8 óbito para cada 100 mil habitantes.
As informações fazem parte do boletim epidemiológico "Mortalidade e perfil de atendimentos por doenças e agravos não transmissíveis entre motoristas de caminhão", publicado na última semana. No levantamento, Mato Grosso lidera a lista, com taxa de 2,4 mortes por 100 mil habitantes, seguido pelo Paraná, com 1,9.
Embora ocupe a terceira colocação na taxa proporcional, Mato Grosso do Sul aparece em nono lugar quando analisado o número absoluto de mortes. Entre 2010 e 2023, foram registrados 634 óbitos de caminhoneiros por causas externas no Estado.
No cenário nacional, São Paulo concentra o maior número de registros, com 3.630 mortes no período analisado. Paraná, com 2.841, e Minas Gerais, com 2.283, completam as primeiras posições em números absolutos.
Segundo o estudo, os acidentes de trânsito representam a principal causa de morte entre caminhoneiros sul-mato-grossenses. As lesões decorrentes desses acidentes correspondem a 62,3% dos óbitos registrados. Em seguida aparecem os homicídios, responsáveis por 16,2% das mortes, e os suicídios, que representam 6,4% dos casos. O restante está relacionado a quedas, outras formas de violência e causas externas sem definição conclusiva.
O boletim também traça o perfil das vítimas e aponta que a maioria dos caminhoneiros mortos era do sexo masculino e trabalhava de forma autônoma. O Ministério da Saúde destaca ainda que houve aumento expressivo no número de mortes entre motoristas autônomos entre 2020 e 2023, período que concentrou os maiores picos da série histórica.
Em todo o Brasil, o levantamento contabilizou 19.375 mortes de caminhoneiros por causas externas entre 2010 e 2023. Para o Ministério da Saúde, o cenário evidencia a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à segurança viária, às condições de trabalho e à proteção desses profissionais nas rodovias.