Com avanço da doença além de Dourados, municípios adotam medidas excepcionais; Estado soma quase 6 mil casos e 12 mortes em 2026
O avanço da chikungunya em Mato Grosso do Sul levou os municípios de Jardim e Itaporã a decretarem situação de emergência em saúde pública, ampliando o cenário crítico que já tem Dourados como principal foco da epidemia no Estado.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, Mato Grosso do Sul já acumula 5.884 casos prováveis da doença em 2026, além de 12 mortes confirmadas, evidenciando a rápida disseminação do vírus em diferentes regiões.
Em Jardim, o número de casos já chega a 358 registros prováveis, com uma incidência elevada de 1.461 casos para cada 100 mil habitantes. O município também contabiliza duas mortes causadas pela doença neste ano.
Já em Itaporã, foram registrados 65 casos prováveis, com incidência de 257,3 por 100 mil habitantes. Um dado que chama atenção é que mais da metade das notificações — cerca de 61,5% — ocorreu somente no mês de abril, indicando aceleração recente da transmissão.
A proximidade com a Reserva Indígena de Dourados, considerada o principal epicentro da epidemia no Estado, contribui para o avanço dos casos. A área, localizada na divisa entre Dourados e Itaporã, concentrou grande volume de notificações nos últimos meses.
Com os decretos, as prefeituras passam a ter respaldo legal para adotar medidas emergenciais, como a compra direta de insumos e medicamentos sem necessidade de licitação, além da contratação temporária de profissionais para reforçar o combate ao mosquito Aedes aegypti.
No caso de Jardim, o decreto também autoriza, em situações específicas, a entrada forçada em imóveis onde haja focos do mosquito transmissor, intensificando as ações de controle.
Em Itaporã, a emergência foi oficializada na última semana e tem validade inicial de três meses. O município justificou a medida com base no aumento de 239% na demanda por atendimentos, principalmente entre a população indígena, o que tem pressionado a estrutura do hospital municipal.
A epidemia, que inicialmente estava concentrada nas aldeias Jaguapiru e Bororó, já provocou sete mortes entre indígenas e cerca de 1,9 mil casos sintomáticos. Nas últimas semanas, houve redução de casos nas aldeias, mas avanço significativo na área urbana.
Como parte da estratégia de enfrentamento, Itaporã deve receber cerca de 3 mil doses da vacina contra chikungunya nos próximos dias. Já Dourados deve concentrar a maior parte do imunizante, com previsão de 43,5 mil doses destinadas ao município, conforme estimativa da Secretaria Estadual de Saúde.