Prints divulgados após o caso mostram humilhações e mensagens de pressão psicológica; Polícia Civil investiga autenticidade e possível ligação com a morte
A morte de uma adolescente de 13 anos, encontrada sem vida na manhã de quarta-feira (22), em Naviraí, ganhou novos desdobramentos após a divulgação de prints atribuídos a conversas em grupos virtuais dos quais ela participaria.
As imagens, que ainda precisam ser periciadas e confirmadas oficialmente pela Polícia Civil, mostram mensagens de insultos, humilhações e pressão psicológica direcionadas à adolescente. Em uma das conversas, o interlocutor rejeita pedidos de desculpas e faz mensagens de incentivo à morte da vítima, além de exigir que ela entrasse em uma chamada de voz em outro aplicativo.
Outro print, supostamente publicado após a tragédia, trata a morte como uma espécie de conquista dentro do grupo. A mensagem faz referência ao tempo gasto para convencer uma vítima a participar de uma “trolagem” e menciona a possibilidade de novos crimes. Trechos da publicação foram ocultados, o que impede a identificação dos envolvidos.
A adolescente foi encontrada pela mãe e pelo padrasto por volta das 6h, na varanda da residência onde morava. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas constatou que ela já não apresentava sinais vitais.
Informações iniciais apontam que a menina participava de servidores na plataforma Discord e teria sido alvo de desafios e pressões por integrantes dessas comunidades. Segundo relatos divulgados pela imprensa local, um dos grupos teria exigido práticas de maus-tratos contra animais. Após denúncias, o servidor teria sido retirado do ar.
A investigação está sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente. A Polícia Civil deverá apurar a autenticidade das conversas, identificar os autores das mensagens e verificar se houve indução, instigação ou participação de terceiros na morte da adolescente.
O caso reforça o alerta sobre riscos de grupos virtuais que usam humilhação, manipulação emocional e desafios para atingir crianças e adolescentes.