Governo federal acompanha impasse envolvendo território reivindicado pelo povo Terena; PM relata danos, furtos e atuação para conter confrontos
A ocupação da sede da Fazenda São Sebastião, em Sidrolândia, terminou na manhã deste domingo (14), após a saída dos indígenas que reivindicam a área como parte da Terra Indígena Buriti. A informação foi confirmada pelo Ministério dos Povos Indígenas, que destacou a atuação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) na tentativa de construir uma solução negociada para o conflito.
Segundo o ministro dos Povos Indígenas, Luiz Henrique Eloy Amado, equipes da Funai permanecem na região dialogando com lideranças indígenas e autoridades estaduais para evitar novos confrontos e buscar avanços nas negociações sobre a demarcação do território, cuja tramitação está paralisada desde 2013.
De acordo com o ministério, os indígenas deixaram a sede da propriedade por volta das 11h deste domingo, após orientação para que aguardassem o andamento das tratativas conduzidas pelos órgãos federais. A principal reivindicação do grupo é a retomada do processo demarcatório da Terra Indígena Buriti, que abrange uma área de aproximadamente 17,2 mil hectares.
Durante a ocupação, proprietários da fazenda relataram o desaparecimento de máquinas e equipamentos agrícolas. O ministro informou que a Funai apura as informações e colabora para que os objetos eventualmente retirados sejam identificados e devolvidos aos proprietários.
Eloy também lembrou que a disputa fundiária na região é antiga e remete a episódios de violência registrados em 2013, quando o indígena Oziel Gabriel Terena morreu durante uma ação de reintegração de posse. Segundo ele, o governo federal discute a retomada de uma mesa permanente de diálogo para tratar da questão.
Ainda conforme o ministro, há expectativa de uma nova rodada de negociações nos próximos meses, com participação de representantes do governo federal, lideranças indígenas e produtores rurais. A possibilidade teria sido sinalizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino.
Em nota, a Polícia Militar informou que mobilizou equipes especializadas para atuar nas fazendas São Sebastião e Água Clara diante de denúncias de invasão de propriedade, vandalismo e crimes ambientais. Conforme a corporação, durante a ocupação foram registrados danos a maquinários, furto de insumos agrícolas, focos de incêndio e derrubada de árvores utilizadas como barreiras para dificultar o acesso das forças de segurança.
Para a operação foram empregados policiais do Comando de Policiamento Metropolitano, além de efetivos do Batalhão de Choque, Batalhão Rural e Batalhão Rodoviário. Segundo a PM, a atuação das equipes permitiu conter os conflitos, dispersar os envolvidos e garantir a segurança de trabalhadores e proprietários rurais.
A corporação informou ainda que policiais seguem na região realizando diligências para localizar materiais que teriam sido levados durante os episódios de violência. As informações coletadas serão encaminhadas à Polícia Civil, responsável pela investigação dos fatos e pela apuração de eventuais responsabilidades criminais.
A ocupação da Fazenda São Sebastião teve início na tarde de sábado (13). Representantes indígenas afirmam que a propriedade está inserida em área reivindicada pelo povo Terena dentro do território Buriti, cuja regularização fundiária segue sem definição há mais de uma década.