Ex-prefeito de Campo Grande está internado desde 1º de julho por problemas cardíacos; pedido ainda aguarda decisão da Justiça.
A defesa do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, protocolou pedido para revogar a prisão preventiva e conceder prisão domiciliar humanitária. Os advogados alegam que o político apresenta grave quadro de saúde, com alto risco de morte, e que o Presídio Militar Estadual não dispõe da estrutura necessária para o acompanhamento médico exigido.
Bernal está internado na Santa Casa desde o dia 1º de julho, após passar por um cateterismo cardíaco. Segundo a defesa, ele sofre de hipertensão arterial, diabetes mellitus e já teve três infartos agudos do miocárdio, além de possuir quatro stents implantados nas artérias coronárias.
De acordo com os documentos apresentados ao Judiciário, o exame mais recente diagnosticou doença coronariana multiarterial severa, condição que o coloca em "altíssimo risco cardiovascular", com possibilidade de evolução para síndrome coronariana aguda, arritmias ventriculares, insuficiência cardíaca e morte súbita.
Os advogados também anexaram laudo de um cardiologista recomendando repouso relativo e acompanhamento médico por, no mínimo, 30 dias. Com base nesse parecer, sustentam que o sistema prisional não oferece condições adequadas para garantir o tratamento necessário.
No pedido, a defesa requer que, após receber alta hospitalar, Bernal seja autorizado a cumprir prisão domiciliar em sua residência, em vez de retornar ao presídio. Também solicita, caso a Justiça entenda necessário, a imposição de medidas cautelares, como monitoramento eletrônico.
Até o momento, o Judiciário ainda não decidiu sobre o pedido.
Alcides Bernal é réu pelo homicídio do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, morto em 24 de março deste ano durante uma disputa envolvendo um imóvel que havia sido leiloado.
A controvérsia teve início em 2023, quando a residência de Bernal foi levada a leilão. Na primeira tentativa de venda, avaliada em R$ 3,7 milhões, não houve interessados. Em um segundo pregão, o imóvel foi arrematado por Roberto Mazzini por R$ 2,4 milhões.
Segundo a investigação, mesmo após a conclusão do leilão, Bernal se recusava a desocupar o imóvel, o que gerou uma série de disputas judiciais. O conflito terminou com a morte do fiscal tributário, caso que resultou na prisão preventiva do ex-prefeito.