Os números comprovam que a obrigatoriedade do uso dos sistemas de retenção em veículos automotores mudou drasticamente as estatísticas de acidentes envolvendo crianças
O ano era 2008. Em junho, entrava em vigor a norma que regulamentou o transporte de menores de 10 anos e a utilização do dispositivo de retenção para o transporte de crianças em veículos. Foi um marco histórico e o resultado pode ser contabilizado em número de vidas salvas. Depois que a resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) passou a valer, o número de crianças que morrem como ocupantes de carro em acidente, ou sinistro de trânsito, foi caindo ano a ano.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2008 foram 288 mortes de crianças entre 0 e 9 anos no Brasil, devido a traumas decorrentes de acidentes de trânsito, na posição de ocupantes de automóveis. Em 2021, o órgão registrou 198 mortes. A queda é de mais de 30% em treze anos. Os números estão claros e comprovam que a obrigatoriedade do uso dos sistemas de retenção em veículos automotores mudou drasticamente as estatísticas.
De acordo com Dr. Flávio Emir Adura, diretor científico da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), no caso de sinistro automobilístico as crianças que usam dispositivos de retenção adequados têm alta redução nos índices de risco de morte e de sofrer ferimentos graves.
“Apresentam redução acentuada dos ferimentos classicamente associados aos acidentes de trânsito, tais como, cabeça, pescoço, coluna, abdômen e membros inferiores, e se utilizarem apenas o cinto de segurança do veículo, apresentarão acréscimo no risco de sofrer ferimentos graves e na probabilidade de necessitar hospitalização”, explica.
Conforme o médico, a ejeção para fora do assento, às vezes até para fora do veículo, aumenta a mortalidade e aumenta significativamente os ferimentos. “A maioria das crianças que, por ocasião de um acidente automobilístico, foi ejetada do veículo não utilizava dispositivos de retenção ou usava-os inadequadamente”, complementa.
Conforme o Dr. Adura, apenas o uso do cinto de segurança não é suficiente para garantir a segurança de crianças como ocupantes de automóveis. “Os cintos de segurança dos automóveis foram projetados para adultos. Enquanto a criança não puder se adequar apropriadamente a ele, deverá utilizar um assento de segurança. As crianças não se adaptam ao cinto de segurança do veículo até atingir a estatura mínima de 1,45m, aproximadamente aos 10 anos de idade”, afirma.
O médico também explica quando é possível que a criança utilize apenas o cinto dentro do carro.
“O cinto de segurança estará adequado quando a faixa transversal passar sobre o ombro e diagonalmente pelo tórax, e a faixa sub-abdominal deverá ficar apoiada no quadril ou sobre a porção superior das coxas”, diz Dr. Adura.
Mesmo sem saber, segundo o representante da Abramet, os pais ou responsáveis podem colocar a criança em risco. “A avaliação equivocada dos parentes é a causa mais frequente da não utilização preconizada do assento de elevação. Isso porque muitos acreditam que a criança já atingiu o tamanho suficiente para usar o cinto de segurança original do veículo”, cita.
Apesar dos números serem positivos, ainda existem outras maneiras de se reduzir ainda mais as estatísticas de mortes de crianças em acidentes de carro.