Foram 26 jogos e longos seis meses até aqui, e agora o Cuiabá E.C. e toda a torcida do Dourado começa a projetar a reta final do Brasileirão 2023, que por enquanto tem deixado um gosto mais doce na boca do que a edição de 2022, quando o time quase caiu.
As expectativas são grandes tanto para o futuro do Dourado quando para o restante da temporada a curto prazo. Quem quiser dar um palpite sobre isso, aliás, pode usar os bônus de casas de apostas para ter alguma vantagem na hora de dar seu palpite sobre onde o time do Cuiabá ainda pode chegar em 2023.
Mas o que foi visto em campo? O que melhorou em relação ao elenco do ano passado e o que pode ser ainda melhor para 2024, se for a ambição do Dourado continuar crescendo e se estabelecendo como time relevante com presença carimbada na elite do futebol brasileiro?
Embora o torcedor de futebol seja em geral crítico, para não dizer “corneteiro”, quem acompanha o Cuiabá com atenção não pode reclamar muito, já que o clube vem em ascensão quase que ininterrupta desde sua fundação, ainda relativamente recente, em 2001.
De lá pra cá, o torcedor viu seu time passar de um mero centro de treinamento para categorias de base na cidade para um multicampeão estadual, com direito inclusive ao atual tricampeonato (2021, 2022 e 2023), sempre invicto.
Mais importante, porém, foi a chegada do Cuiabá à elite do Brasileirão, em 2021, para nunca mais sair. Na primeira temporada, terminando em 15º, o Dourado ganhou direito de disputar a Sul-Americana, mas naquela edição não passou da fase de grupos. No ano seguinte, terminando na péssima 16ª colocação, conseguiu apenas escapar do rebaixamento.
Agora, porém, as coisas estão diferentes, e o Cuiabá segue a passos firmes para sua melhor campanha na Série A na história – e, mesmo com tropeços e limitações naturais, as perspectivas de futuro são boas.
Mesmo o torcedor mais crítico vai concordar que 2023 está sendo o melhor ano do Cuiabá. A volta do técnico António Oliveira está fazendo bem para o time, e o Dourado chegou a sete atletas valorizados acima de 1 milhão de Euros, segundo o Transfermarkt; dentro de campo, acima de tudo, que é onde importa, a evolução é nítida – ainda que a perfeição esteja longe, é claro.
O grande mérito do time até aqui é ter aprendido a jogar bem fora de casa – embora, claro, isso implique em dificuldades em ganhar na Arena Pantanal. Mesmo assim, como visitante, o desempenho do Dourado é impressionante: é o 7º melhor time, com cinco vitórias em 13 jogos longe do Mato Grosso.
Por outro lado, foram justamente os pontos desperdiçados dentro de casa que agora fazem falta ao time – notavelmente nos jogos contra Bragantino, Coritiba e América-MG, todos tendo deixado um gosto amargo na boca do torcedor cuiabano.
Ciente de que está longe de estar livre do fantasma do rebaixamento, o Dourado precisa garantir pontos importantes para não apenas se afastar das zonas inferiores da tabela, como tentar garantir uma vaga na Sul-Americana de 2024.
Vale lembrar que, graças ao desempenho ruim no Brasileirão 2022, o time mato-grossense não apenas ficou uma única posição acima da zona do rebaixamento, como acabou perdendo a chance de disputar mais uma Sul-Americana, que teria sido a terceira, depois de 2016 e 2022.
Uma dessas chances claras de pontuar e que acabou desperdiçada foi justamente na última partida, contra o Cruzeiro, dentro da Arena Pantanal. Aos 44 do segundo tempo, se o atacante Deyverson não tivesse perdido chance claríssima de abrir o placar, muito possivelmente a partida teria terminado em triunfo do Dourado.
Considerando que o ex-Palmeiras é o artilheiro do Cuiabá no Brasileirão, com 9 gols, e 7º maior marcadosrdo campeonato, esperava-se mais letalidade na frente do gol. O gol perdido, inclusive, gerou rusgas entre o genioso atacante e a torcida presente na Arena Pantanal.
Agora, claro, não adianta chorar muito, e cabe ao Cuiabá, nos seus 12 jogos restantes, conseguir, nessa ordem: atingir uma pontuação mínima para fugir do rebaixamento (45 pontos costuma ser o suficiente) e, com otimismo, garantir uma vaga na Sul-Americana, se é que ainda não é possível sonhar com vaga, mesmo que indireta, na Libertadores da América. A se ver.