14/02/2012 09h38 - Atualizado em 14/02/2012 09h38
César Cordeiro e Lania Torres
Dois amigos inseparáveis do jornalista e escritor Paulo Rocaro estavam perplexos, durante o velório que acontecia no Memorial Pax Primavera, com o crime de execução praticado contra ele. Um deles é o jornalista Dércio Cruz, que há mais de vinte anos convivia com “Rocaro” e ultimamente vinha atuando com ele no Jornal da Praça, tendo deixado o órgão de comunicação há cerca de duas semanas quando pediu demissão. “Nunca nos separamos, sempre era amigos e colegas de trabalho”, lembra Dércio.
Ele também afirma que é difícil imaginar o que aconteceu porque Paulo era bastante crítico em suas reportagens, mas ele nunca levava a informação pelo lado pessoal e sim contra instituições públicas sem jamais citar a pessoa de alguém. “Fica difícil imaginar quem estaria por trás deste crime porque o Paulo não levava as coisas para o campo pessoal, ele tinha sempre esta linha e a gente desconhecia que ele tivesse alguma inimizade, pelo contrário era amigo de muita gente aqui na fronteira”, disse Dercio.
Indagado acerca do crime, que poderia ter sido motivado por um livro lançado por Paulo Rocaro em que ele fazia referência sobre o clima de perigo na fronteira, Dércio afirmou que esta possibilidade é remota. “No livro constam apenas fatos fictícios, hipotéticos, não tem nada a ver com a realidade, acho isso impossível”, afirmou.
O ex-prefeito Vagner Piantoni era mais um amigo íntimo de Paulo Rocaro. Bastante abalado, ele não conseguia imaginar ou apontar quem seria capaz de mandar executar o jornalista.
Domingo, dia do crime, Paulo almoçou e saiu somente à noite da casa de Vagner, junto com a família. Foi a última vez que Piantoni conversou com o jornalista que em momento nenhum revelou que estaria sendo ameaçado ou que estava sendo perseguido por alguém.
“Passamos o dia todo conversando sobre política, sobre vários outros assuntos da nossa fronteira, somos grandes amigos desde que militávamos juntos no PT, só que ele nunca misturou as coisas, nunca misturou o trabalho dele com a notícia, quando prefeito, ele era meu assessor, ele falava por mim, estou muito chocado”, finalizou Piantoni.
Paulo Rocaro também era escritor. Foi autor de três livros: O primeiro, “Sítios Arqueológicos da ocupação da América do Sul”, publicado em 1995 pela editora Borba. O segundo livro, recorde de vendas, foi “A Tempestade”, publicado em 2002 pela editora Borba.
Neste livro, o autor destacou a criminalidade na região de fronteira, a ação da polícia e principalmente o sistema de segurança pública desenvolvido na região. A última obra publicada foi em 2004, “Respeito e Gratidão aos Pioneiros do Sindicalismo Rural”. O escritor preparava mais um livro, no mesmo estilo de “A Tempestade” para ser lançado no final de 2012.
Paulo Rocaro deixa a mãe, três irmãos, dois filhos, a esposa e uma neta. O sepultamento do jornalista está previsto para hoje, no cemitério Cristo Rei.
